quarta-feira, 1 de abril de 2009

A capa do livro

Deixo-vos mais um cheirinho do livro que está para nascer. 23 receitas que deixarão qualquer boca inundada de saliva.

Capa da autoria da minha querida amiga Ana Teresa Duarte, a quem agradeço do fundo da artéria aorta tão bela interpretação do espírito culinário do Chefe Fred.


quarta-feira, 11 de março de 2009

Porque uma imagem vale mais que 20 receitas


by Rui Vilhena Leitão.

ilustração a incluir no livro do Chefe Fred, para a receita "Bifes de Papagaio au Vin".


O Chefe anuncia aos seus 3 fãs que este espaço estará temporariamente parado.
O motivo de tal desgraça é a eminente edição em livro das fabulosas receitas que aqui tenho vindo a partilhar.
Para vos dar a conhecer novas papinhas, também tenho que papar. E se as disponiblizar aqui, ninguém compra o livro. Consequentemente, o chefe não papa e falece.

Um sentido abraço de agradecimento a todos e ficai atentos às novidades.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Manjar do Deserto

Marrocos, quatro da tarde, quarenta e dois graus à sombra (se houvesse). Os tuaregues, ou lá como se chamam os homenzinhos que por lá andam, rapinam-lhe o carro, o dinheiro e os mantimentos. Resta-lhe a roupa que traz no pêlo e uma vontade enorme de enterrar as fussas na areia até desfalecer. É natural, mas coma qualquer coisa antes:

Areia com todos

Ingredientes:

Areia húmida q.b. (consoante a fome);
Tudo o que encontrar que não seja areia q.b

Tentando manter a respiração constante e tranquila, caminhe pelas intermináveis dunas até encontrar uma zona mais plana. Comece a escavar nesse local um orificio com cerca de um metro de diâmetro. Prepare-se porque será uma tarefa árdua, uma vez que o buraco deverá atingir o quilometro de profundidade. O dito orifício deverá ser feito na diagonal, para que se forme uma rampa que lhe permita entrar e saír do mesmo. Durante a escavação, vá guardando no bolso tudo o que não for areia: conchas, pedrinhas, raízes, ossadas. Mas não se iluda. Se achar um búzio já vai com sorte.

Experimente trautear canções com ritmo, que ajudarão a que escave a um excelente ritmo. Escavando a uma mãozada por segundo, demorará cerca de 14 horas a concluir a tarefa.
Saberá que o buraco atingiu um quilometro de profundidade quando o percurso entre a entrada e o fundo do buraco tarde exactamente quatro músicas dos Simply Red.

No dito fundo, reparará que a areia se encontra mais húmida. Retire a quantidade que considere suficiente para lhe saciar a fome, junte as matérias que previamente foi guardando no bolso e engula de uma só vez, sem mastigar ( a menos que seja parvalhão ao ponto de apreciar trincar areia).

Como referência, saiba que uma mão cheia de areia húmida o mantem alimentado para 2 dias. Se quer evitar esta sensação por uma semana, por exemplo, deverá então comer 4 mãos cheias.




segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Rebelhão à Chefe Fred

Os quatro leitores que ocasionalmente consultam este espaço, ter-se-ão intrigado com a ausência de pitéu natalício partilhado pelo Chefe. A verdade, meus caros, é que sou um homem de tradições.

No Natal não há espaço para invenções. É bacalhau, é peru, são rabanadas e é o DVD do Sozinho em Casa II a rodar em loop no leitor.

Já para o Ano Novo, as regras mudam. O ano termina, e é a altura perfeita para experimentar. Se correr mal, vira-se a página e começa um novo ano, pródigo em sucessos culinários.

1. O dia começa com um pequeno-almoço de requinte:

Iogurte de amora com cebolada

Ingredientes:

1 litro de leite de bode
27 a 1000 amoras silvestres
1 cebola pequena
azeite e mel q.b.


Vista-se de forma larilas e vá até ao bosque mais próximo com um cestinho de vime no braço e trauliteie cançonetas do Música no Coração. Procure por uma amoreira silvestre e colha as amoras mais maduras para o cesto. Volte para casa na mesma toada maricona.

Ferva um litro de leite de bode (um dia explico-lhe como se obtém esta iguaria, por agora vá comprá-lo ao Zé Punheteiro, pequeno comerciante com estabelecimento montado em Vila Nova da Cerveira, junto ao EcoMarchê), deixe repousar e coloque uma hora no congelador. Retire, volte a ferver, congele outra vez, depois ferva, congele e ferva outra vez. Deixe a repousar 2 horas. Vai-se tranformar em iogurte.

Junte ao preparado as amoras e esmague com os calcanhares. Frite uma cebolinha pequena em azeite e mel e coloque no topo do iogurte. Coma em três colheradas grandes.


2. Não se almoça.

(provavelmete vomita-se durante uma boa parte da tarde)

3. O Jantar

Faça uma torradinha com pão de centeio e barre um niquinho de manteiga magra. Aínda deve estar com o estômago numa lástima.

4. A meia noite

Em vez das tradicionais 12 passas, passará as badaladas a mandar brufenes para o bucho, tal é a agonia que o cabrão do iogurte lhe causou.

E pense...comparando com o que agora acaba, o primeiro dia do Ano vai ser espectacular.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Petit Dejeuner aux escargots


Ingredientes

1 Pão de Ló
40cl de leite ordenhado na hora
5cl de gosma de caracoleta
Tabasco q.b.
Farinha para bolos q.b.
8 mirtilos

Fazendo jus ao ditado popular "Leite gamado é mais engraçado", dirija-se a um pasto alheio a altas horas da madrugada. Procure uma vaca adormecida e comece a furtar-lhe leite das tetas pressionando-as com os dedos polegar e indicador num movimento contínuo. Encha pelo menos duas garrafas de 20cl de leitinho (e se o fizer sem antes levar três coices nos cornos, é o meu heroi!)
Finda a tarefa, vá para casa em passo de corrida.
Verta o leite para um púcaro e bote-o ao lume até levantar fervura, entornando-o de seguida para cima de finas fatias de pão de ló. Deixe a repousar.

Quando o sol começar a irromper pelo negrume do céu, vá dar um passeio pelo bairro, do qual deve resultar a obtenção de pelo menos cinco caracoletas bem providas de gosma.
Leve-as para a cozinha, humedeça a banca de mármore e ponha-as aí. Ao sentirem o molhadinho, estes asquerosos bicharocos vão pôr as trombas de fora e largarão 1cl de baba cada um.

Recolha esta substância viscosa com uma espátula e barre-a sobre as fatias de pão, previamente ensopadas no leitinho. Dê-lhes agora com o secador do cabelo, 5 minutos em cada uma. Por essa altura já deverão estar bem sequinhas e crocantes.

Chega agora o encargo fulcral deste prato:

Se o caro leitor teve uma infância digna desse nome, terá com certeza conhecimento da velha teoria de que ao colocar um cigarro aceso na boca de um sapo, este traga consecutivamente o fumo até im(ex?)plodir.

Se já o fez, boa. É cá dos meus.
Se repudia tal coisa, não perca mais tempo a ler as receitas do Chefe Fred. Não quero cá meninos.
Se é daqueles que acha que essa teoria não passa de um mito rural, refuto-lhe com esta: Também era considerado mito que os cavalos sabem ler, e no entanto aqui está você a ler esta receita.

Por isso, deixe-se mas é de merdas e vá para junto de um charco com um pacote de cigarros no bolso.

Capture 3 sapos usando a velha técnica de engate sexual: deite-se de barriga para baixo com as pernas bem abertas e arqueadas, simulando assim uma rã sedenta de festa. Os sapos até andarão à porrada para ver quem chega primeiro.

Acenda dois cigarros por cada sapo e espete-os no bucho do bicho. Agora é esperar uns minutos. Garanto-lhe que vão ex(im?)plodir bem antes de os cigarros chegarem ao filtro.

Recolha minuciosamente os restos mortais e regresse ao domicílio.

Disponha 3 a 4 nacos de carne do sapo por fatia de pão de ló, polvilhe com farinha para bolos e pincele-as ligeiramente com tabasco. Leve a gratinar 10 minutos no aquecedor a óleo.

Coma bem quente, acompanhado de um sumo natural de mirtilo e tenha um bom dia de trabalho!



terça-feira, 25 de novembro de 2008

Alheiras de caça à macho latino


Ingredientes
Surtido de animais de caça (10 peças)
6 preservativos XXXL
2 Dentes de Alho
Azeite q.b.
Queijo Parmesão q.b.

Tire o cú da cama antes do sol nascer, e tente esquecer o facto de ser Domingo e de estar com uma ligeira ressaca de whisky barato.
Vista a sua roupa de caça e antes de sair, coma duas claras de ovo, que lhe darão a energia necessária para uma manhã de sucesso.

Verifique se as espingardas e pressões de ar estão bem calibradas e faça-se à estrada, rumo a um qualquer monte alentejano. Para se lhe incutir na perfeição o espírito de um dia de caçada, coloque no leitor de cassetes o concerto das Divas do Pimba ao vivo no Pavilhão Municipal de Ponte de Lima. À terceira música, vai ficar com uma insaciável vontade de matar tudo o que mexe.

Chegando ao local da caçada, procure um esconderijo que o deixe fora do campo de visão das vítimas: coelhos, perdizes, javalis, patos bravos, pardais, codornizes.
Dedo no gatilho, e bota milho. Tudo o que mexer tem que ser seu. E lembre-se: a piedade é o pior inimigo de um caçador. Se tiver um bonito coelho albino na mira da sua espingarda e lhe vierem à tona sentimentos lamechas, lembre-se da música “Mãe, eu te amo mais do que à minha filha”, música-hino do FPC (Festival Pimba de Corroios). Dois segundos depois, o coelho albino não vai parecer tão fofo com uma chumbada bem no centro das fuças.

Deve conseguir pelo menos umas dez peças de carnes variadas. Já as tem? Reúna-as num saco de plástico de grandes dimensões, e dê-lhe um nó, tentando retirar-lhe o ar do interior. Siga para casa!
No caminho de volta, oiça uma boa ópera de Verdi, para descomprimir.
Chegado ao lar, guarde o saco com os animais que ai jazem em local fresco e seco. Durma umas horas.

Nota do Chefe: É possível que venha a ter pesadelos com o pequeno coelho albino a correr em slow motion pela pradaria ao som do hit acima mencionado. São ossos do ofício. Adiante...


No dia seguinte, dirija-se à farmácia mais próxima e adquira uma caixa de preservativos. Especifique à farmacêutica de serviço que deseja os maiores do mercado, tentando ostentar uma cara de macho bem dotado. Agradeça piscando-lhe o olho e corra para casa.

Retire as carcaças do saco e disponha-as sobre a mesa da cozinha. Tudo o que tiver bico e patas afiadas é para cortar. Só a chicha interessa. Quando todas estiverem neste ponto, abra a caixa dos preservativos, e um por um, vá enchendo com um surtido de bicharada, até ficarem bem recheados. Para acondicionar as carnes correctamente, de quando em vez pegue numa das extremidades do preservativo e arremesse-o com pancadas secas contra a parede. No final, acrescente em cada preparado um fio de azeite , uma rodela de paio e uma pitada de sal. Dê um nó duplo, de modo a que os impedidores de procriações fiquem perfeitamente fechados e guarde-os numa caixa metálica de biscoitos.

A caixa deverá ser mantida debaixo de uma luz de halogéneo durante três a quatro meses, altura em que as carnes estarão no ponto para ir ao lume.

Regue uma sertã com um fio de azeite, dois dentes de alhos partidos e frite os preservativos. Quando estes começarem a dar sinais de que vão explodir a qualquer momento (surgirão enormes bolhas de plástico ao longo de toda a sua superfície) retire-os e polvilhe com queijo parmesão ralado.

Sirva com arroz branco e certifique-se que não leva à boca nenhuma porção do anti-contraceptivo, sob pena de falecer intoxicado nos minutos seguintes.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Confissão Culinária 1

Baba de Camelo

A primeira vez que experimentei confeccionar esta perdição, passei doze horas nú em pleno deserto, a dançar Bossa Nova, (des)esperando que o animal começasse a salivar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Etíopezinha


Igredientes:

1 fio de esparguete
1/2 grama de Gengibre
1 Lápis de cera Azul Cyan
1/4 cebola pequena
2 fatias de pão de forma velhas
2 rodelas de nabo
1 talo de couve portuguesa
5 cl de água destilada

Quem se desloca à cidade do Porto, não pode deixar de provar o ex-líbris gastronómico da região: a Francesinha.
Reconheço que se trata de um prato bem conseguido, provido de sabor, robustez e originalidade. Mas convenhamos: com uma no bucho, o consumidor passa as três horas seguintes em lenta agonia, lutando contra uma imensa vontade de expelir tudo através de um desagradável regurgito.

Respondendo a isto, apresento a Etíopezinha: simples, leve, saudável e deliciosa.

Ferva 1 centilitro de água com uma pedra de sal e um fio de esparguete.
Num púcaro à parte, faça um refogado com 1/4 de cebola de pequeno porte, 1/2 grama de gengibre e um talo de couve portuguesa. Quando a cebola estiver mais loira que o Herman José, junte ao preparado uma chávena de café de água destilada e deixe ferver. Adicione um lápis de cera azul cyan e mexa em lume brando durante 5 horas, começando no sentido do ponteiro do velocímetro da sua viatura e invertendo-o a cada meia hora. Deverá obter um preparado cremoso, azul mas a descair para o amarelado.

Num pirex de reduzidas dimensões, alterne uma fatia de pão de forma duro como um torresmo com uma rodela de nabo. Duas camadas de cada é a quantidade ideal.

Cubra esta pilha com o molho preparado anteriormente e coloque no topo da mesma o fio de massa, disposto em espiral.

Leve ao forno, previamente aquecido a 850º e retire quando o esparguete estiver carbonizado.

Sirva com meia courgette ralada e acompanhe com um delicioso chá de batata.

Nota do Chefe: Esta receita não deve ser interpretada como uma declaração de guerra à parente francesa. Acredito que as duas podem conviver num clima de paz e harmonia, não só na Invicta, como também em todos os locais onde existam pessoas parvas.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Bacalhau com Broa


Igredientes:

1 Bacalhau
1 neurónio


É recorrente nas receitas que convosco partilho a necessidade de viajar para obter os ingredientes necessários.
Esta não foge a essa regra. Vamos até África?

Apanhe um autocarro até Gibraltar e ao chegar embarque no primeiro ferry para Ceuta.
Uma vez aí, não perca muito tempo em negociatas com os nativos. O objectivo é um, simples e fácil: conseguir uma boa placa de haxixe (250 gramas é o suficiente) a um preço não superior a 50 euros.
Se o traficante lhe pedir mais que esta quantia diga-lhe que para isso teria ido ao Afeganistão, que a papoila está mais em conta. A ameaça de recorrer aos eternos rivais do mundo do tráfico vai certamente persuadi-lo a avançar com a transacção.

Adquirir o estupefaciente é coisa de meninos. O grande desafio está no regresso.

Como voltar a pôr os coutos em território europeu sem ir directo para uma cela e sair 3 anos depois com um andar novo?

Nade caro leitor...nade!

Ainda em Ceuta, encontre um edifício em construção e furte um tubo de canalização. Prenda a placa de haxixe ao tronco com fita adesiva e ao cair da noite, mergulhe nas tépidas águas do porto. Mantendo uma extremidade do tubo à superfície, e a outra bem encaixada na sua boca, conseguirá fazer o caminho de volta submergido.
Em dois dias, nadando bruços de forma exemplar, deverá alcançar a costa espanhola sem problemas. Escolha uma zona de enseadas sem areal, por norma menos vigiadas pelas patrulhas costeiras dos Nuestros Hermanos.

Chegado a terra, procure uns miúdos e ofereça-lhes uma lasquinha de haxixe em troca de agasalhos e creme para a pele ( 2 dias debaixo de água não a vão deixar no melhor estado).
Use a mesma moeda de troca para conseguir um bilhete de autocarro que o retorne à nação.

Vá para casa e descanse umas horas.

Quando acordar, rume à mercearia do bairro e compre um bacalhau salgado da Noruega. Compre também um rolo de 7 metros de papel vegetal, 3 pacotes de tabaco de enrolar e um lança-chamas.

Já em casa, desenrole o papel vegetal no chão da sala. Disponha os três pacotes de tabaco de forma longitudinal e ponha a jeito a placa de haxixe. Com o lança-chamas em riste, derreta-a, espalhando a matéria ao longo de todo o tabaco. Faça um filtro com uma cartolina A2, enrolando-a em espiral.
Besunte uma das laterais do papel com cola UHU e una-a com a outra lateral, de modo a obter um imenso tubo.

Tranque-se na dispensa e inicie o fumício. Não deixe um milímetro que seja por fumar.

Saia da dispensa e vá para a sala brincar com os unicórnios, os rinocerontes e não ligue aos nomes que a gaveta do móvel lhe chama. E já agora, pare de se rir do sofá, que não tem culpa de parecer a sua tia.

A dada altura, vai certamente ficar com larica.

Pegue no bacalhau, ainda salgado, e roa-o desenfreadamente. Cuidado com as espinhas. Vai-lhe saber ao mais divinal petisco que alguma vez provou.

Antes de ir para a cama, certifque-se que tem junto à cabeceira da cama três garrafões de cinco litros de água e o telefone com bateria.
E lembre-se:
Para chamar uma ambulância liga-se para o 112, não se berra pelos corredores como se estivesse a chamar as crianças para virem para a mesa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ovas de cavala à melómano

15 a 20 ovas de Cavala
1 colher de chá de Mel
Açafrão q.b
1 bago de romã


Dirija-se ao porto de Matosinhos e peça permissão a um velho pescador chefe de embarcação para integrar a tripulação na próxima ida ao mar.

Prepare o material de pesca e vista uma camisola de lã. Leve também um tupperware grandote.

A bordo, aproveite para conhecer as mais incríveis histórias e aventuras navegantes dos seus compinchas.
Chegados ao alto mar, e quando estes sacarem das suas redes e canas, siga-lhes o exemplo.

Apanhou 3 sardinhas, 2 carapaus e um saco de plástico do Intermarché? Boa merda!
A missão só está cumprida quando apanhar uma cavala.

Quando o fizer, coloque-a no tupperware com água do mar. Relaxe.
Beba uns bagaços e tente não vomitar com a forte ondulação que se faz sentir no regresso.

Chegado a casa, translade a cavala para um recipiente maior e abane-o de 2 em 2 horas, não vá o bicho pensar que está no Mediterrâneo.

Ok, temos as cavalas. Mas e as ovas???

Calma. O truque é revelado agora.

Dirija-se à Golegã, aproveitando o inicio da feira de São Martinho.
Coma umas castanhas, beba uma água-pé e aguarde pelo chegar da noite.
Verifique que nas ruas da pequena localidade ondula um mar de gente e de cavaleiros que saem á rua para ostentar os seus animais.

Escolha um alvo: cavalo, macho, bonito e desprovido de dono nos 100 metros circundantes.
Monte-o com toda a celeridade possível e galope até casa. Cuidado ao entrar no elevador. Certifique-se que as crinas não ficam presas na porta.

Leve-o para a cozinha, onde se encontra também a cavala, ponha um Cd de Lionel Ritchie a tocar, apague a luz e retire-se. A magia do amor fará o resto.

De manhã só encontrará 2 coisas na cozinha: um rasto de destruição causado pela fuga do cavalo (é um bicho claustrofóbico), e uma cavala prenha.

Nos dois meses seguintes, mime-a: mude-lhe a água todos os dias e leve-a a ver o mar aos domingos, para matar saudades.

Findo esse período, ela vai desovar umas 17 ovas. Recolha-as com o passador das natas e deixe a secar em local fresco e seco. E devolva o peixe ao mar, vá.

Dois dias depois, passe as ovas por água, seque e tempere com mel e açafrão.

Sirva com uma baga de romã e disfrute desta colher de chá de puro prazer.